sábado, 13 de março de 2010

Dica de Livro - Homens Invisíveis: Relatos de uma Humilhação Social


Dando continuidade ao post anterior que falava sobre profissões que existem, mas que muitas pessoas ignoram quem está exercendo-as.
Não poderia deixar de comentar este livro tão marcante: "Homens Invisíveis": Relatos de uma Humilhação Social, autor Fernando Braga da Costa , Editora Globo.
O autor era aluno do curso de Psicologia na Universidade de São Paulo (USP) e tinha que fazer um trabalho para a disciplina Psicologia Social II. O trabalho consistia em exercer por um dia o trabalho de trabalhadores com profissões que não exigissem mão-de-obra qualificada e fosse um trabalho subalterno. Fernando escolheu ser gari ou cantoneiro(em Portugal). Tarefa cumprida. Não? Fernando foi além, passou a exercer a profissão um vez por semana. Isso acontece há 9 anos.
Virou tema do seu Mestrado já concluído e do seu Doutoramento sobre o mesmo assunto na mesma universidade.
Vestido como gari, atuando na limpeza da universidade, Fernando se transforma, deixa de existir. Os professores(ele não cita nomes) não o enxergam, passam ao seu lado e de seus colegas indiferentes, não o cumprimentam, nem um olhar, nenhuma palavra. Será que eles o reconhecem? Claro que sim. A percepção humana fica condicionada e as pessoas passam a ser vistas como coisas ou imperceptíveis. Este é o retrato desses homens invisíveis.
Não é segredo para ninguém que trabalhar no meio académico é lidar com a "Fogueira das Vaidades" sei disso pois foram alguns anos trabalhando no sector de Recursos Humanos numa Universidade no Brasil. Realmente não e fácil lidar com muitos PHDeuses. Só muito "jogo de cintura" para contornar as situações.
Fernando não tinha ideia que sua pesquisa teria uma repercussão tão grande. Ele foi convidado a participar de inúmeros programas na TV, recusou. Não estava atrás de holofotes.
Encontrei muitas entrevistas dele na internet falando sobre sua experiência, em sites e blogs que tratam de responsabilidade social.
É um rapaz humilde e simples. O que nos faz pensar que só podia ser assim. Imagine se fosse esnobe e orgulhoso, se sujeitaria a tal trabalho? Duvido. Nem por meio dia.
Ele é amado por seus colegas de trabalho semanal, o livro relata com perfeição.
É o tipo de livro que não se passa indiferente.
Recomendo para reflexão.





2 comentários:

Anônimo disse...

Elis,
Muito bacana ver seu trabalho em destaque e com esta qualidade.
Parabéns, pois acho que educar é uma arte , mesmo que sejamos nós mesmos nos educando a cada dia....

Vânia Marinho

gremunhoz disse...

Fogueira das vaidades é o que não falta nesse âmbito, doce Elis. Adorei a expressão "PHDeuses". Tenho uma outra pra te dizer, mas é meio obscena, te mando em off, risos.