quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Melhor Empresária da Europa 2011 é Portuguesa
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Último dia na Formação
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Dica de Filme Com amor... Da idade da razão
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Reclame Menos, Trabalhe Mais
Foto: http://onlyhdwallpapers.com/wallpaper/dr_house_hugh_laurie_everybody_lies_gregory_desktop_1680x1050_wallpaper-75domingo, 24 de abril de 2011
O resgate da espiritualidade organizacional

Foto: Suzula by stock.xchng
Texto retirado de www.administradores.com.br
Por Rubens Fava
O fato é que os laços já frágeis entre as pessoas e as empresas estão desaparecendo rapidamente à medida que as recompensas em dinheiro não é a melhor motivação para pessoas.
Embora vivamos numa fase onde a sobrevivência, a competitividade e a concorrência está cada vez mais difícil, é um paradoxo que se dê tanta importância à espiritualidade.
São muitas as razões para a promoção da espiritualidade no pensamento empresarial. O mercado globalizado baseado num capitalismo democrático, que repousa um sistema de troca voluntária e comprometimentos políticos com a liberdade e o livre arbítrio individuais, é, no fundo, um sistema que depende da criação de confiança. Sem uma estrutura de valores morais e espirituais básicos, tais como dizer a verdade, justiça e responsabilidade pessoal, a confiança poderá desviar-se até do grupo gerencial mais idealista.
A customização maciça e o consequente marketing de relacionamento aproximou a empresa do mercado, aproximação essa baseada na confiança mútua entre empresa e cliente que exige idoneidade e um comprometimento mais ético dos dois lados.
Assim é crucial entender como a espiritualidade organizacional pode ser colocada em prática no mercado e na vida de um gestor com eficiência.
Isso requer não apenas um essencial compromisso com a integridade pessoal, mas trazer estes valores espirituais da vida privada, fazendo com que estes se tornem também eficientes no contexto dos negócios.
Apesar de tudo isso, a preocupação dos gestores com a espiritualidade parece concentrar-se no receio de que o cumprimento das obrigações com os valores e com a espiritualidade imponham uma perda imediata nos resultados financeiros.
As repercussões financeiras de escândalos e corrupções que tiveram como consequências a grave crise econômica mundial recente deixaram bastante claro que nenhum executivo pode se dar ao luxo de deixar de rever sua forma de agir e principalmente seus valores.
Na verdade, embora vivamos numa fase onde muitas técnicas e conceitos gerenciais ganham seus dias de glória, depois são trocados por outros mais modernos e atualizados, a espiritualidade e a criação de confiança permanecem na viabilidade da empresa.
Um efetivo padrão de integridade empresarial é crucial para o bem-estar da empresa, para seu pessoal e para aqueles que são afetados por suas operações.
A maior parte dos valores compreendidos como espiritualidade organizacional: honestidade, justiça, respeito pelos outros, prudência, solidariedade, humildade, cooperação, confiabilidade e outros é parte conhecida da formação das pessoas.
Contudo, a "grande empresa" impessoal, fria e desumana, ao moldar o trabalhador sem sentimentos, sem identidade psicológica, sem fisionomia moral, criou o protótipo do homem instrumento, desenhado pela Revolução Industrial e pelas modernas concepções neotayloristas, que teimam em restringir periodicamente, sob mil disfarces insinuantes, por via do autoritarismo ou da manipulação sutil.
Assim, os valores espirituais foram sofrendo uma desintegração. Os escândalos empresariais que aparecem nos jornais, como manipulação de informações privilegiadas, os boatos mesquinhos e as calúnias nos escritórios e departamentos são prova de que os gestores das empresas nem sempre conseguem fazer da boa ética, dos valores morais e da espiritualidade organizacional um fato real na conduta dos negócios.
Quando se combina a falibilidade humana com a ganância do dinheiro e do poder, acrescido dos fatores organizacionais e hierárquicos e a cobrança por somente resultados financeiros no final dos exercícios, fica difícil falar e manter a espiritualidade dentro das empresas. Porém a validação da espiritualidade organizacional, embora o termo não seja popular, é simplesmente um modo de reconhecer que, sem dúvida, existem certas escolhas a serem feitas com relação aos meios e aos fins empresariais, as quais têm um ingrediente essencialmente moral, ético e espiritual.
Conflitos de interesses, aquisições hostis de empresas, o desmantelamento e o desaparecimento de grandes instituições financeiras, voltaram a atenção para os velhos problemas da ganância individual e desonestidade.
Assim, o resgate da espiritualidade organizacional torna-se questão urgente. A necessidade do trabalho em equipe, a mudança do poder, saindo da estrutura organizacional para o conhecimento, a recessão econômica em muitas empresas e um conjunto multipolar de concorrentes sem fronteiras, minaram a promessa das recompensas imediatas e universais entre pessoas do mesmo pensamento.
A diminuição no tamanho das empresas, as fusões, a tecnologia que faz o trabalho repetitivo e exaustivo, deixando apenas o trabalho inteligente para as pessoas, e a extrema mobilidade da força de trabalho que agora é internacional, multirracial e de ambos os sexos, onde o conhecimento tácito, base da Gestão do Conhecimento, e o know-how das empresas está na cabeça das pessoas e não mais nas estruturas empresariais, fez com que o estado bem conhecido de ganância administrativa do livre mercado tornasse inadministrável.
O fato é que os laços já frágeis entre as pessoas e as empresas estão desaparecendo rapidamente à medida que as recompensas em dinheiro não é a melhor motivação para pessoas.
Aliando a todas estas mudanças internas nos relacionamentos funcionário empresa, estão as mudanças externas. A alta tecnologia trouxe a personalização maciça de produtos e serviços, fazendo com que os relacionamentos cliente empresa se estreitassem e passassem a ser mais de confiança do que de satisfação, onde mais do que produto ou serviço os clientes compram o comportamento ambiental, ético, moral e idôneo das empresas.
Pensar, falar e agir dentro de um preceito de espiritualidade passou a ser uma questão de sobrevivência para as empresas que querem perpetuar-se e serem competitivas neste início de século XXI.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Currículo digital e perfil na web facilitam processos de seleção

Fonte: Valor Online
Que o currículo em papel está praticamente extinto não é novidade. Enviá-lo a uma empresa para se candidatar a uma vaga soa hoje quase tão ultrapassado quanto usar os termos "holerite" e "bilhete azul". Toda grande corporação passou a oferecer em seu site a opção de cadastro de currículos e de candidatura às vagas anunciadas - quase sempre o sistema é terceirizado, desenvolvido por uma empresa especializada. "O currículo digital facilitou o trabalho de seleção dos departamentos de recursos humanos e aumentou as possibilidades para que um profissional encontre quem valorize seus atributos", diz o gerente de marketing da Vagas Tecnologia, Luís Testa.
A Vagas tem cerca de 1.300 empresas clientes, incluindo 45 das 100 maiores corporações brasileiras. No site central, o vagas.com.br, quem está à procura de emprego pode cadastrar o currículo e checar, gratuitamente, as oportunidades disponíveis. A empresa administra mais de 4 milhões de cadastros no site geral e outros 44 milhões nos bancos de dados exclusivos de cada cliente. O negócio tem se mostrado tão promissor que a Vagas deve dobrar o número de funcionários neste ano - de 80 para 150 - e conseguiu multiplicar por quatro o faturamento desde 2007, passando de R$ 3,3 milhões para R$ 13,3 milhões em 2010. A receita se origina dos contratos de licenciamento para uso do software de cadastro e gestão de currículos. Uma das novidades, oferecida às parceiras a partir do final de 2010, é um software que publica automaticamente no Twitter oficial da empresa interessada cada nova vaga anunciada por ela.
A substituição do papel pela versão digital não elimina os preceitos básicos de um bom currículo - sintetizar, de forma organizada e clara, os principais dados pessoais, profissionais e educacionais do candidato a um emprego. Curiosamente, no entanto, o uso da tecnologia está trazendo de volta alguns aspectos tradicionais. Um deles é a possibilidade de incluir informações que vinham sendo descartadas diante da orientação geral de produzir documentos sucintos, de no máximo três páginas, pois ninguém teria tempo para ler mais do que isso.
Outro aspecto que voltou a ser valorizado nos currículos são as indicações de pessoas que já trabalharam com o profissional, tanto como superiores quanto como pares. "Um currículo precisa ser sóbrio, e não autopromocional. Muito mais apropriado do que dizer que 'faz e acontece' é incluir o contato de três ou quatro boas referências, de preferência relacionadas aos dois últimos empregos", diz o diretor de operações da Robert Half no Brasil, William Monteath. A consultoria oferece em seu site modelos de currículos virtuais.
Muitos profissionais estão empenhados em tirar proveito da internet. Por enquanto é uma postura mais encontrada entre aqueles que trabalham com TI, mas a tendência é que essa preocupação se amplie gradualmente para as demais áreas. Keith Matsumoto, 30 anos, analista de inteligência de mercado da Alog Data Centers, uma provedora de infraestrutura de TI, fez a "lição de casa": criou um site em que trata de assuntos profissionais, estruturou um perfil sóbrio no LinkedIn e não dá derrapadas nos demais sites de relacionamento dos quais participa. "A internet é o mais público de todos os lugares, porque é vigiada por milhões de pessoas, 24 horas", diz. O esforço foi recompensado há um ano e meio, quando a Alog chegou a ele justamente fazendo pesquisas pela rede. A mesma estratégia está sendo adotada pela empresa para preencher as 40 vagas em aberto - com 410 funcionários neste momento, a Alog vem apresentando crescimento na receita em torno de 20% ao ano. "Fazer sondagens de perfis na internet se tornou parte da nossa rotina aqui no RH. Estamos sempre à procura de profissionais antenados", diz a coordenadora de treinamento, Fernanda Oliveira.
Maurício Oliveira | Para o Valor, de São Paulo
quarta-feira, 6 de abril de 2011
A melhor empresa para se trabalhar em Portugal
sexta-feira, 1 de abril de 2011
As frases proibidas nas organizações
Retirado de www.administradores .com.br
Por Wellington Moreira
Nós geralmente valorizamos as pessoas que apresentam a resposta em vez de consagrarmos aqueles que se dedicam a fazer as perguntas certas
Com o passar do tempo, algumas frases se tornaram proibidas a todos que vivem o dia a dia nas empresas, pois os riscos decorrentes de tais manifestações são reconhecidos como muito elevados para quem pretende se manter no local onde trabalha.
Quando foi a última vez que você ouviu alguém afirmar "eu não sei" ou "o erro foi meu" em sua organização? Possivelmente, até tenha pensado que esta pessoa surtou momentaneamente ou então que se tratava de um profissional inexperiente e sem o mínimo senso de autoproteção.
No entanto, situações como esta precisam ser analisadas por outro prisma. A cultura organizacional da grande maioria das empresas brasileiras não valoriza a importância daqueles que dizem "eu não sei" ou mesmo quem faz questionamentos recorrentes, mas sim os profissionais que têm a capacidade de responder as questões elaboradas por outrem.
Você mesmo deve lembrar como era apreciado na escola quando conseguia responder a alguma pergunta do professor e os olhares de reprovação ou deboche que lhe eram dirigidos ao indagar algo que esclareceria o assunto a todos de uma única vez, mas ninguém arriscaria examinar publicamente.
Nós geralmente valorizamos as pessoas que apresentam a resposta em vez de consagrarmos aqueles que se dedicam a fazer as perguntas certas. Por conseguinte, também nas organizações, muitos dos colaboradores preferem ficar sem saber a questionarem o porquê das coisas.
Problema maior ainda existe em relação à outra frase destacada: "o erro foi meu". Estimo que inúmeras pessoas não tenham a coragem de reconhecer suas falhas, mesmo sabendo que esta seria a atitude correta, porque ao denunciarem os próprios erros ouvem apenas questionamentos de reprovação: "Como você pode ter deixado isto acontecer?" ou "Será que não vai aprender nunca?"
A lição que perdura para todos os demais trabalhadores que presenciam algo semelhante é: quando você cometer uma besteira fique quieto no seu lugar e, se necessário for, coloque a culpa em outro infeliz.
Quando as pessoas não se sentem seguras nem estimuladas a externar seus fracassos e inseguranças, abre-se espaço para que o ambiente seja inundado por posturas nas quais "esconder os problemas debaixo do pano" e torcer para que ninguém perceba ou se posicionar como vítima transforma-se em regra geral.
Se você é gestor, sugiro que comece a olhar de forma especial para quem evita respostas prontas nem tampouco utiliza justificativas esfarrapadas para explicar o trabalho que deixou de concluir a tempo. É claro que tais atitudes não credenciam o profissional desde já a uma promoção, mas revelam senso de responsabilidade, requisito fundamental para quem amanhã poderá ocupar uma posição de liderança.
As empresas devem ter a consciência de que inevitavelmente alguns erros serão cometidos e não haverá pessoas com respostas satisfatórias para uma série de perguntas. Todavia, se cultivarem um ambiente que favoreça o aprendizado contínuo e seus colaboradores forem estimulados a correr riscos calculados será comum escutar pessoas dizendo "eu não sei" ou "o erro foi meu" e além disso poderão comprovar que haverá um comportamento proativo ou reparador logo na sequência dos fatos.
E qual o primeiro passo para a mudança? As organizações precisam acompanhar de perto as atitudes de seus gestores. Quando os colaboradores percebem que os líderes diretos são os primeiros a encobertar erros ou se calar diante de determinada situação que requer posicionamento, eles compreendem que esta é a coisa certa a fazer naquele lugar. Ah, o contrário também é verdadeiro.
Wellington Moreira - Palestrante e consultor empresarial wellington@caputconsultoria.com.br
segunda-feira, 28 de março de 2011
Divulgando, Renato Kress, Instituto Atena
Flávia Mello me apresentou virtualmente e já estamos trocando experiências, vivências e projectos futuros para Brasil e Portugal. Renato é o que chamamos de dinâmico, inteligente e com uma alegria de viver que contagia. Estou a divulgar a entrevista realizada por Flávia Mello no seu blog de notícias que está no endereço:
O Instituto ATENA é uma empresa de treinamento empresarial, político e pessoal criado por Renato Kress.Compreendendo que o termo Programação Neurolingüística à primeira vista soa como um palavrão e, como tenho em casa uma coleção de mais de 40 dicionários sobre os mais variados temas (política, história, filosofia, arte, sociologia, símbolos, psicologia...) que uso para estudar, resolvi criar o Dicionário ATENA de PNL (http://www.institutoatena.com/dicionario.html) com todos os termos e algumas técnicas simples da PNL aplicada. Inspirado por idéias como a Wikipédia e o Google, resolvi abrir alguns conteúdos da PNL para familiarizar o maior número possível de pessoas com eles. Atualmente acabei de criar o Dicionário ATENA de Gestão Inteligente, enfatizando métodos, linguagem e estrutura gerencial que possa fugir da auto-sabotagem que a moda da hipercompetitividade desenfreada tem gerado nas empresas. Hipercompetitividade que é incentivada por empresas que não a praticam internamente, porque agem de forma estratégica para que seus concorrentes se sabotem e elas possam comprá-las no futuro. Esse dicionário faz parte de um outro projeto que inclui publicar a cada 6 meses um livro com o selo ATENA. O segundo livro já está sendo criado e é um material correlato com um dos cursos da ATENA.
Atualmente estou investindo na criação de cursos que enfatizem o que eu tenho como diferencial na minha formação profissional: Estratégia (parte da ciência política, Maquiavel e sua escola), Liderança (parte da antropolgia e ciência política) e Arte da Guerra (ciência política, resolução de conflitos e trabalho com metas e prazos).
sábado, 26 de março de 2011
Geração à Rasca - A nossa culpa

Esse tema tem sido algo que tem chamado a atenção lá no Brasil de vários amigos e leitores do blog. Do que se trata o Movimento "Geração à rasca"?
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado
com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A
vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque e eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem,
querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que
este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares
a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço? "
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*É um olhar ao estilo de Mia Couto*
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Mia Couto é Biólogo e escritor moçambicano, autor de contos, romances e crônicas.






