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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Entrevista com Camila Matheus - Matemática, Esportes e Alegria de Viver

Camila Matheus, 31 anos, é daquelas pessoas que possui energia positiva contagiante, otimista por natureza, confiante, tem um falar calmo, com energia que pode manter uma usina ligada. Esportista por natureza pratica corrida de rua, natação, dança, yoga e o que mais aparecer de atividade física.
Licenciada em Matemática pela UFF(Universidade Federal Fluminense), Pós-Graduação em Educação Matemática: teoria e prática Pedagógica pela PUC - Rio(Pontifícia Universidade Católica Rio de Janeiro) e Especialização em Administração Pública pela UCAM(Universidade Cândido Mendes) e atualmente é aluna ouvinte do Mestrado em Educação da UFF. Além de diversos cursos de extensão em Pedagogia Social, Didática da Matemática, Geometria e muito mais.
É Professora Supervisora do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência PIBID/ UFF, além de Professora de Matemática do Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho - IEPIC em Niterói.

Como você despertou para a matemática? Tinha alguma dificuldade? Como isso aconteceu?
Em 1992, no 7º ano, antiga 6ª série, eu tive um excelente professor de matemática, o Marcelo Bairral. Mesmo com facilidade, foi apenas nessa época que me encantei. Eu era a aluna que ia ao quadro e que disputava nota na sala de aula. E o mais interessante é que 10 anos depois, o reencontro em um Encontro de Educação Matemática em Vassouras, RJ e ele lembrou de mim. Foi fascinante!

O que a fez optar pela área da Educação?
Quando iniciei as matérias pedagógicas do curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal Fluminense, me deparei com Didática Geral, Psicologia da Educação e Estrutura do Funcionamento do Ensino Médio. Foi um momento onde vi a minha vocação. Onde eu queria fazer o diferente e a diferença. Onde me vi como professora-pesquisadora.

Como é ser Professora de Matemática numa escola pública, num Brasil em desenvolvimento e ainda com tantas carências?
Em 2005, assumi 3 turmas do 7º ano do Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho- IEPIC, localizada em Niterói-RJ. De imediato foi um choque. Estava acostumada a lecionar em escolas pequenas e da rede particular. Era uma realidade muito diferente de tudo que eu havia vivido como cidadã e como docente. Mas aprendi a olhar no olho de cada aluno. Entendê-lo e fazer com que eles sentissem que é possível e que eu estava ali para ajudá-los.

Sabemos que as mudanças práticas na área da Educação no Brasil estão ocorrendo só que ainda muito lentamente, o que você enxerga como essencial para dar uma alavancagem para a mudança ?
O governo estabeleceu o currículo mínimo e está fazendo avaliações bimestrais. Mas o problema é que não temos alunos ideais numa escola ideal. Existem diversos problemas que o governo desconsiderou como por exemplo: turmas que não tiveram professores em anos anteriores, alunos portadores de necessidades especiais, alunos que por diversos motivos não frequentam a escola e alunos que enfrentam a cada dia problemas que as vezes nem sonhamos que existem. O essencial seria uma equipe pedagógica capacitada e completa, inspetores por todos os lugares da escola e reconhecimento finaceiro para todos da educação.

Como é ensinar matemática, uma disciplina que de modo geral é temida, causa medo detestada? Ao que se deve a má fama da matemática? Afinal, matemática é difícil?
Segundo Paulo Freire, ensinar é um ato de amor. E é com amor que ensino. Sempre converso com a turma sobre isso. Mostro a eles que não é um bicho de 7 cabeças. Esta semana mesmo foi muito gratificante. Entrei na turma 603, e após a chamada, disse: meninos, hoje vamos aprender raiz quadrada!!! Nossa! Alguns vibraram e outros reclamaram. Professora isso é muito difícil! Eu nunca aprendi!! Respondi: hoje vou te dar a oportunidade de aprender! Você vai ver que é fácil! Eu garanto!!!. E ao final, obtive a resposta: é só isso professora? Agora eu sei! Como isso é bom.

Mito ou verdade acredita que é possível, que todos possam aprender matemática ou ter dificuldade com números é mesmo uma limitação?
Como em grego matemática significa aquilo que se possa aprender, acredito sim. Existem várias maneiras para se conduzir o ensino da matemática. Eu digo sempre aos meus alunos: "é proibído sair da sala com dúvidas". Sempre busco maneiras diferentes para ensinar quando acontece a dúvida. Com relação a limitação, talvez exista por algum tipo de doença que seja incapacitante, mesmo assim é necessário analisar caso a caso em caso de uma doença, pois o ser humano é capaz de se superar, não dá para rotular ninguém de que não tem capacidade para aprender.

O que são as Olimpíadas de Matemática que ocorrem no Brasil? Qual a importância para os alunos essa aproximação?
A OBMEP pretende estimular nos alunos o gosto pela Matemática e pelo raciocínio, o desenvolvimento do senso crítico e de bons métodos de estudo. Estas habilidades são essenciais no desempenho em todas as áreas de conhecimento e no exercício da cidadania. Agora em agosto acontece a 7ª Olimpíada Brasileira de matemática das escolas públicas. Existem três níveis e na minha escola vai sar a 1ª vez que acontecerá desde quando comecei a lecionar lá.

O que diria para alguém que quer seguir a carreira da Matemática?
Perseverança é a palavra. O curso de matemática é um curso bem diferente da matemática que vemos na escola. Então devemos ser perseverantes e dedicados pois a partir daí poderemos escolher diversas áreas que exigem conhecimentos matemáticos.

Qual o perfil que o profissional da Matemática deve ter para o mercado de trabalho atual?
O profissional da matemática deve ser disciplinado e dedicado. Estudos diários, sempre buscando o aperfeiçoamento.

Como professora nos conte como consegue despertar nos alunos o prazer em aprender Matemática? Existe algum “pulo do gato”, um “segredo”?
Bom, vivemos numa realidade onde os alunos não possuem limites, respeito entre os colegas e os demais. A violência física e verbal é presente e o significado do estudo como alavanca para o sucesso não existe. O aluno fica até de de madrugada acordado todos os dias e não consegue chegar 7h da manhã na escola ou está sololento. Não temos um suporte familiar. As vezes o aluno nem tem moradia fixa. A sexualidade é precoce. Chega a iniciar a vida sexual aos 10 anos. Bebidas e drogas em geral também são presentes. E depois disso tudo, como mostrar a eles que é importante fazer o dever de casa e estudar??? É uma luta diária. Converso muito, desenvolvo projetos lúdicos. Mas não consigo atingir a todos. Só que nunca desisto de ninguém.

Uma atitude positiva perante a vida é fundamental, como você faz uso dessa atitude na sua vida? Nos conte. (O que faz além de ser professora?)
Uma frase que digo sempre aos meus alunos é: "EU QUERO, EU POSSO, EU CONSIGO" Falo isso a mim mesma, todos os dias! Digo quando vou fazer um esporte radical, quando vou disputar um concurso ou quando vou iniciar um novo estudo. Gosto de conviver com a natureza, com os esportes, com o samba e com a fotografia. E sempre que posso utilizo tudo em sala de aula.

Para finalizarmos, o que acha que ainda falta ao ser humano para ser mais feliz?
Separei alguns trechos que gosto muito.
Segundo Mário Quintana(poeta brasileiro), "Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade".
Admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo, deixa a vida te despentear! O pior que pode acontecer é que, rindo frente ao espelho, você precise se pentear de novo.... (Martha Medeiros escritora brasileira)
E apaixone-se "Porque o dia seguinte é o dia mais importante da sua vida. É no dia seguinte que sabemos se o dia de ontem valeu a pena. É no dia seguinte que acordamos para a realidade ou dormimos no sonho. A vida da gente começa no dia seguinte e só existe uma maneira de viver: APAIXONADO.”

Elis, agradeço a oportunidade de contar um pouquinho sobre minha história e poder compartilhar com todos.

Camila, eu agradeço sua participação, sua simplicidade e forma de nos mostrar que não existe limites para aprender e ser feliz SEMPRE.
SUCESSO!!!




quinta-feira, 9 de junho de 2011

Campanha Doações Para o Remanso Fraterno - Niterói-RJ



Queridos amigos e leitores do blog,

Mesmo morando em Portugal continuo sendo voluntária e trabalhadora da SEF/Remanso Fraterno em Niterói. Para quem quiser conhecer o maravilhoso trabalho acesse(aceda) o site:


São dois pedidos que venho fazer aqui no blog. O primeiro é que o inverno está chegando e a Instituição está precisando de doações de colchonetes para as crianças do Ensino Fundamental 1º e 2º ano, são 60 alunos.

Precisamos também de doações de cobertores para os nossos frequentadores do Trabalho de Domingo, em sua maioria moradores de rua(sem abrigo).
Os cobertores podem ser usados, velhinhos, de solteiro ou casal. Sabe aqueles que não usamos mais, que estão guardados nos armários esquecidos em nossas casas ou de algum familiar? Serve.
Colaborem por favor, você irá aquecer muitos corações.
Favor ligar para SEF (21) 2717-8235 (2ª a 6ª - 9 às 18 horas) ou por e-mail: sef@sef.org.br

Nosso MUITO OBRIGADA!






quarta-feira, 27 de abril de 2011

Dia Mundial da Boa Ação - 28 de Abril

Retirado na íntegra do site http://www.acorrentedobem.org/participe/

Você

Faça entre uma e três boas ações para pessoas diferentes, sem esperar ou pedir nada em troca. Incentive a pessoa ajudada a continuar a Corrente do Bem, também ajudando outras três pessoas. Os cartões do Dia Mundial da Boa Ação (disponíveis neste site) podem ser entregues à pessoa explicando como a corrente funciona (acreditamos que se você não falar muito com a pessoa o impacto da ação é maior).

Lista de sugestões de ações para o dia 28/04
Participe no Facebook
Nos siga no Twitter
Material Sociedade em geral

Instituições de ensino

Toda escola gosta de ensinar à suas crianças a fazer boas ações. E o Dia Mundial da Boa Ação é mais do que uma bela oportunidade para ensinar essa sabedoria aos meninos. É também uma grande chance para que eles percebam que fazem parte de um mundo muito maior e que suas boas ideias podem gerar reações em cadeia, no âmbito mundial.

Temos várias sugestões de como uma escola pode se engajar e, inclusive, parcerias com mídias que adorariam cobrir a movimentação nas instituições. Entrem em contato conosco e aproveitem para baixar todo o material disponível para apresentar o projeto.

Lista de sugestões de ações para o dia 28/04
Material Instituições de ensino
Cartão da Corrente do Bem dia 28/04
Banner
Cartazes nos formatos A3 e A4
Carta aos Pais

Empresas

Toda ajuda e apoio são bem-vindos. Empresas podem se engajar com propostas de boas ações internas, entre funcionários. Podem também oferecer mão de obra e serviços para terceiros. E ainda nos ajudando a passar a diante essa ideia.

Entre em contado e acesse aqui todo o material que oferecemos para uso empresarial.

Lista de sugestões de ações para o dia 28/04
Material Empresas
Cartão da Corrente do Bem dia 28/04
Divulgação
Banner
Cartazes nos formatos A3 e A4

Parceiros

Várias instituições e empresas adotaram a Corrente do Bem e o Dia Mundial da Boa Ação, caso tenha interesse em colaborar com projetos, prestação de serviços, divulgação ou qualquer outra ideia criativa, entre em contato. Toda nossa equipe é voluntária e nosso interesse é formar uma rede colaborativa, sem fins lucrativos.

Lista de sugestões de ações para o dia 28/04
Cartão da Corrente do Bem dia 28/04
Divulgação
Banner
Cartazes nos formatos A3 e A4

Suas ideias & A Corrente do Bem

Ao ajudarmos o outro, nos tornamos um elo. Esse elo, quando sincero, torna-se mais forte que qualquer tempo ruim; o elo também é uma âncora. Esse elo inspira a formação de outros elos, por isso, esse movimento é de todos e motivamos a sociedade a participar ativamente do seu desenvolvimento e divulgação. Temos um canal de comunicação super aberto para o envio de ideias sobre como podemos fazer A Corrente do Bem, ser cada vez mais forte e maior.

Galera, fiquem livres para mandar suas ideias para: ideias@acorrentedobem.org

- Peças gráficas

    - Ações & Campanhas publicitárias

      - Jingles

        - Vídeos

          - Depoimentos

            - Flash mobs

              - Textos e matérias

                Todas as boas ideias que forem postadas, receberão os créditos de seus criadores, portanto não esqueçam de nos enviar seus contatos e links de referência

                Vamos formar muitos elos e expandir essa Corrente! Passem adiante!

                domingo, 3 de abril de 2011

                Matando a Criatividade

                Ainda seguindo a linha de como podemos matar a criatividade, como diz "sir" Ken Robinson.
                Gosto muito das tirinhas de Dilbert, descobri que tem um filme sobre ele. Achei este vídeo que é parte do filme, intitulado "The Knack" (O Jeito)


                sábado, 26 de março de 2011

                Geração à Rasca - A nossa culpa


                Esse tema tem sido algo que tem chamado a atenção lá no Brasil de vários amigos e leitores do blog. Do que se trata o Movimento "Geração à rasca"?
                Um dos autores que mais admiro Mia Couto, fez uma ótima definição:

                Geração à rasca - A nossa culpa -
                "Um dia, isto tinha de acontecer.

                Existe uma geração à rasca?
                Existe mais do que uma! Certamente!
                Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
                Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
                A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
                Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

                Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
                Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
                Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado
                com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

                Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A
                vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

                Foi então que os pais ficaram à rasca.
                Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
                Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
                São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

                São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque e eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem,
                querem o que já ninguém lhes pode dar!

                A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

                Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
                Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
                operacional.
                Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
                Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que
                este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
                Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
                Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
                Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

                Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

                Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
                Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
                Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
                Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

                E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
                nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares
                a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

                Novos e velhos, todos estamos à rasca.
                Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
                Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
                A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
                Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
                Haverá mais triste prova do nosso falhanço? "
                --
                *É um olhar ao estilo de Mia Couto*
                --
                Mia Couto é Biólogo e escritor moçambicano, autor de contos, romances e crônicas.

                terça-feira, 22 de março de 2011

                Estudar não tem idade... Sr. João Sabino 90 anos, é um exemplo

                [Fotografia: Entre-paginas.com]
                Eu vi a entrevista num telejornal aqui em Portugal dia desses. Sempre me emociono com essas pessoas que podemos considerar nossos heróis, seja aqui em Portugal, no Brasil ou em qualquer outro lugar.
                João Sabino, que tem "apenas" 90 anos, decidiu voltar a estudar e agora está a aprender a mexer em computadores.
                Faz inveja pra muita gente que com um terço da idade dele, diz "ah! não tenho nada pra fazer", "não tenho tempo" ou "estou muito velho".
                Tenho exemplo em casa, meu pai tem 66 anos e aprendeu a mexer no computador há cerca de uns 8 anos atrás. Hoje é um internáutico de carteirinha, fico muito feliz . Minha mãe 60 anos para acompanhá-lo fez o mesmo e me pego recebendo e-mails de ambos, conversando pelo skype, ambos fazem pesquisas sobre assuntos diversos. Fico muito feliz e me inspiro em nunca parar de estudar. Minha mãe decidiu concluir o ensino médio (ou 12º ano daqui) poucos anos atrás. Uma vitória!
                Lá no Brasil fui voluntária por imensos anos numa Instituição que além de todo seu trabalho na área da Educação com os pequeninos tem um trabalho de Alfabetização de Adultos, ver pessoas idosas aprendendo a ler e a escrever NÃO TEM PREÇO!
                O saber realmente não tem idade.
                Parabéns ao Senhor João Sabino por sua coragem, vontade e dedicação em aprender, que inspire muitas pessoas por Portugal e pelo mundo.

                Pesquisando para saber mais sobre o Senhor João Sabino acabei por encontrar o blog Biblioteca Porta Aberta, que recomendo e já estou seguindo.
                Segue o link:


                sexta-feira, 18 de março de 2011

                Entrevista com DANIEL CADILHE - Ciência, Educação e Espiritualidade


                Sabe uma pessoa que a gente gosta e quer ficar ouvindo durante horas? Assim é o Daniel. Tem uma super facilidade na oratória e na escutatória (parafraseando o Rubens Alves), ele é Educador de Jovens, Orador, Tutor de Educação à Distância, além de doutorando em Ciências Morfológicas.

                Apresento Daniel Veloso Cadilhe, 29 anos. Bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF) que fica em Niterói, RJ. Possui Mestrado em Neuroimunologia pela mesma universidade e atualmente concluindo o Doutorado em Ciências Morfológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

                Como foi que a Biologia surgiu na sua vida?

                Em 1998, durante o 3º ano do ensino médio, eu tinha certeza que meu caminho era fazer algum curso da área de saúde, mas não sabia qual. Até três meses antes do vestibular pensava em fazer fisioterapia, mas neste momento conversei com meu professor de Biologia e ele disse que eu tinha perfil de pesquisador e sugeriu um curso que só existia na UFRJ chamado Microbiologia e Imunologia. Sendo assim, prestei vestibular para o referido curso, mas não passei. No ano seguinte optei pelo curso de Ciências Biológicas por ter uma área de trabalho mais ampla. Inicialmente passei para o curso de Licenciatura da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), onde cursei um período, mas ao saber que fui reclassificado para a UFF, decidi mudar de universidade, pois queria trabalhar com pesquisa. Lá cursei minha graduação(Licenciatura em Portugal) e Mestrado. Me encantava a possibilidade de poder pesquisar algo que pudesse, de alguma forma, mudar a vida das pessoas.

                Pode nos falar um pouco da profissão de Biólogo, seus ramos de atuação?

                Como o seu próprio nome diz, a Biologia trata do estudo da vida (bio = vida ; logos = estudo). Então, tudo que é vivo faz parte do campo de estudo da Biologia. Muita gente tem uma concepção equivocada acerca do trabalho de um biólogo, pois a maioria das pessoas pensa que se restringe ao estudo dos animais (Zoologia) e das plantas (Botânica), mas o biólogo pode atuar no estudo da vida marinha (Biologia Marinha), do meio ambiente (Ecologia), mas também da Biologia Celular e Molecular, estudo do sistema nervoso e da fisiologia de todo o organismo. Antigamente, os profissionais de pesquisa eram todos médicos, mas na atualidade o perfil do pesquisador mudou completamente. A maioria dos pesquisadores no mundo são biólogos ou biomédicos (área do conhecimento que surgiu como um ramo da Biologia, assim como a Odontologia e a Fisioterapia faziam parte do curso de Medicina). Só no laboratório onde trabalho, dos 25 profissionais que fazem parte da equipe, 20 são biólogos ou biomédicos e nossa área de atuação é bem diversa do que se pensa para um biólogo normalmente, pois trabalhamos em pesquisa com células-tronco embrionárias, tentando viabilizar novos tratamentos para doenças até o momento sem cura.

                Como a profissão de Biólogo acompanha a evolução do mundo?

                Atuando em pesquisa na área de saúde, o biólogo ajuda no desenvolvimento de novos medicamentos e terapias. Além disso, hoje em dia só se fala de aquecimento global e das possíveis consequências. Entre os profissionais envolvidos na descrição do fenômeno, nas medições sobre o aumento do degelo ou do nível dos mares, muitos deles são biólogos. E são eles também que ajudam a traçar estratégias para minimizar ou evitar que as previsões de desastres naturais derivados deste fenômeno se cumpram. No entanto, hoje em dia há muita interseção entre as atividades de biólogos, biomédicos ou engenheiros ambientais, oceanógrafos etc.

                O que é o Projeto LaNCE, no qual você está inserido sobre células-tronco embrionárias?

                O LaNCE é o Laboratório Nacional de Células-tronco Embrionárias que está localizado no Hospital Universitário da UFRJ e na Universidade de São Paulo(USP). Ele faz parte uma rede de laboratórios chamada Rede Nacional de Terapia Celular (RNTC) que é uma iniciativa do governo federal para potencializar a pesquisa com células-tronco no país. O objetivo do nosso laboratório especificamente é catalisar a pesquisa e desenvolvimento com células-tronco embrionárias e de pluripotência induzida no Brasil. Dentro disso, tem o papel de fornecer células em larga escala para outros laboratórios e treinamento aos pesquisadores.

                Outro papel que procuramos desempenhar é o de estreitar os laços com a população. Temos uma parte do site dedicada a esclarecer o público sobre o que são as células-tronco, quais seus tipos etc. E temos também um canal de comunicação direto, onde as pessoas podem esclarecer suas dúvidas sobre o assunto e os pacientes podem obter informações sobre possíveis tratamentos no Brasil e no mundo. Embora nós não façamos testes clínicos, ajudamos os pacientes a encontrar onde existe e verificar se o teste é adequado ao seu caso.

                Para conhecer o nosso site, visite: http://www.lance-ufrj.org

                O site da Rede Nacional de Terapia Celular é: http://www.rntc.org.br/

                O LaNCE e a RNTC também estão no Twitter e são administrados por mim. Lá divulgo novidades a respeito das pesquisas com células-tronco. Procurem por @LaNCE_UFRJ e @celtroncoRNTC.

                Nos conte sobre o Projeto de Educação à Distância, como é sua atuação?

                A Educação à distância surgiu na minha vida através de um convite do meu melhor amigo. Ele já atuava em um curso de pós-graduação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) em Educação Especial em Deficiência Mental. Fiz o processo seletivo e comecei a atuar como tutor e, posteriormente, como coordenador de uma das disciplinas. O curso atende principalmente professoras do ensino fundamental e médio e tem como objetivo ajudá-las a entender melhor o desenvolvimento de crianças deficientes e a lidar com elas.

                O que pode nos falar sobre Educação Especial? Como é sua atuação.

                Como disse acima, atuo principalmente como tutor. A maioria das nossas alunas trabalha em mais de uma escola, em turnos diferentes e ainda possui marido e filhos para cuidar, ou seja, uma vida muito corrida. O curso à distância permite que elas possam melhorar sua formação através de uma boa universidade e sem sair de casa.

                Mas nem tudo são flores em um curso à distância, pois você não tem os colegas para dar incentivo nos momentos difíceis e nem o professor por perto.

                Por conta disso, procuro dar o máximo de apoio às alunas tentando diminuir a distância. Ligo para elas quando desaparecem e, por muitas vezes, consegui resgatar alunas que estavam a ponto de desistir do curso devido às dificuldades e ao desânimo que vinha em seguida. Procuro estabelecer um laço de amizade com as alunas de forma que elas se sintam mais à vontade e fazê-las pensar no curso e no seu papel como educadoras.

                Há quanto tempo trabalha com a Educação de jovens e como este trabalho está relacionado com sua profissão?

                Lá se vão 13 anos. Trabalhei com crianças de 03 a 12 anos de agosto de 1997 até o final de 2008 e trabalho com jovens de 15 a 25 anos desde 2007. Estas atividades e a minha profissão tem uma relação bem íntima, pois todas contribuíram para a pessoa e o profissional que sou hoje. Comecei com 16 anos e isso me ajudou muito a me soltar mais, a falar em público, a saber a melhor forma de dar uma aula e a adaptá-la a diferentes públicos e, principalmente, a lidar com o público infantil. Da mesma forma, a minha profissão me permitiu trabalhar com as crianças e jovens conteúdos diversificados e a trazer uma visão mais científica para as discussões.

                Gostaria que comentasse a frase "É pela educação mais do que pela instrução que se transformará a humanidade"(A. Kardec).

                Essa frase de Kardec retrata tudo que penso acerca da educação. Gosto muito também das palavras de Augustin Cochin em que diferencia a instrução da educação: "A instrução é mais especialmente a aprendizagem da ciência, a educação é a aprendizagem da vida; a instrução desenvolve e enriquece a inteligência, a educação dirige e fortifica o coração; a instrução forma o talento; a educação, o caráter. A missão da educação é mais elevada, mais difícil a sua arte".

                Costumo dizer às minhas alunas que ser professor é muito fácil, pois o professor tem o papel apenas de instruir, de passar conhecimento. Difícil mesmo é ser educador, pois este tem um papel mais nobre e amplo. O professor espera que a criança alcance a sua forma de pensar, que seja capaz de abstrair como um adulto. O Educador age da forma inversa, pois procura adequar-se ao aluno, procura entrar no universo da criança, falar na sua linguagem, tornar o assunto atrativo e aproveitar os talentos que o aluno tem. O professor vê uma sala com 40 alunos, o Educador vê cada aluno individualmente, suas dificuldades e suas potencialidades.

                Ken Robinson (autor e orador em educação) diz que "Se você não está preparado para errar, nunca vai ter uma ideia original”. Nossas escolas estão repletas de professores que destroem a criatividade da criança dizendo que ela precisa decorar informações e que não pode errar, e estão carentes de Educadores que percebam que a maioria das crianças diagnosticadas com TDA (transtorno do déficit de atenção) ou com hiperatividade são apenas crianças com grande potencial criativo e que precisam de um sistema de ensino mais aberto e que lhes dê opções. Ensinamos da mesma forma arcaica há séculos (!), só que hoje as crianças são muito diferentes do que foram nossos pais e avós. Ken Ronbinson diz que a produtora do musical mais visto de todos os tempos (musical Cats) teria sido diagnosticada como tendo TDA na infância se já tivessem descrito o transtorno à época. Felizmente sua mãe a levou a um médico consciente e observador que a aconselhou a colocar a filha em uma escola de dança. Desde então a menina distraída nas aulas passou a se destacar, fez parte das maiores companhias de dança e tornou-se uma produtora de sucesso e multimilionária. Grandes gênios da história foram considerados péssimos alunos (Einstein é um exemplo). Mas se eles foram gênios, onde estava realmente o problema?

                Acredita que o otimismo contribua para uma vida melhor?

                Certamente. Uma pessoa otimista necessariamente é uma pessoa de fé. Ter fé não significa necessariamente estar vinculada a uma religião, mas sim, acreditar em algo. A fé é o antônimo da dúvida (e não a certeza como muitos pensam) e o otimista é a pessoa que tem fé de que tudo acabará bem, de que todo mal é passageiro e de que ele é capaz de superar. O otimismo é uma força propulsora que nos leva para frente, pois a partir do momento que eu creio, eu não me amedronto, não desisto sem lutar e, por consequência, prossigo em frente.

                Jesus disse que a fé transporta montanhas. O otimista, portanto, não vê as situações difíceis como problemas, mas como desafios a serem superados e ele sabe que irá superá-los. O otimista não se frustra com o fracasso das primeiras tentativas, ele se adapta e muda o método, muda sua abordagem até que encontre a fórmula ideal.

                Os grandes inventores da humanidade foram pessoas otimistas, pois certamente lidaram com muitos fracassos até obterem o sucesso. Um exemplo de persistência foi Thomas Alva Edison (inventor da lâmpada). Certa vez foi interpelado por seu estagiário que disse que eles haviam falhado 10 mil vezes na obtenção da lâmpada e Thomas Edison lhe respondeu: “Eu não falhei, encontrei 10 mil soluções que não davam certo”. Posteriormente, Edison obteve a lâmpada o que lhe conferiu status de gênio, notoriedade e riqueza. Há inúmeras frases dele que denotam o seu otimismo. Vejam neste link (http://migre.me/3gomK).

                Para concluirmos, o que acha que falta ao ser humano para se tornar mais feliz num mundo com tantas transformações. Isto é possível ou uma utopia?

                Certamente é possível, se temos fé em um Deus soberanamente justo e bom, não podemos crer que ser feliz seja uma utopia. É claro que no mundo em que nós vivemos hoje, ainda muito imperfeito, só somos capazes de obter uma felicidade relativa. Mas estamos aqui justamente para nos melhorarmos e alcançar a felicidade plena. Creio que o otimismo, discutido na pergunta anterior, é um excelente caminho para alcançar essa tão sonhada felicidade pelo fato de ele agir como força propulsora.

                No entanto, não podemos esquecer do respeito ao próximo. Se cada um de nós seguir o mandamento maior de Cristo, de amar ao próximo como a nós mesmos, certamente viveremos em um mundo muito mais pacífico, harmonioso e feliz. Se todos nós passássemos a respeitar o próximo, certamente viveríamos uma era de paz e de felicidade, pois nos ajudaríamos mutuamente.